O câncer de pele é o câncer mais prevalente no Brasil, com cerca de 170 mil casos previstos em 2019, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O principal fator de risco para a doença é a exposição excessiva ao sol ou a fontes artificiais de radiação ultravioleta, como as câmaras de bronzeamento artificial.

O câncer de pele normalmente está visível e se manifesta na forma de pintas e sinais. Por isso, é fundamental fazer um autoexame periódico na própria pele, atendando para qualquer lesão suspeita.

Podemos dividir o câncer de pele em dois tipos: melanoma e não-melanoma.  Os tipos mais comuns de câncer de pele não melanoma são os carcinomas, que podem ser basocelulares e espinocelulares (ou epidermoides).

O melanoma é o câncer de pele mais raro, porém mais letal. Trata-se de um tumor agressivo, que tem facilidade para se espalhar para outras partes do corpo. A incidência de melanoma é baixa no Brasil. Estima-se que ocorram cerca de 6.200 casos da doença (e aproximadamente 1.500 óbitos) por ano no país. Dada a sua agressividade, é importantíssimo que seja diagnosticado em suas fases iniciais.

Tipos de câncer de pele

Carcinoma basocelular
O carcinoma basocelular tem origem nas células da camada basal da pele. É o câncer de pele mais comum, responsável por 75% dos casos, mas também o menos agressivo e com menor potencial de fazer metástases, ou seja, se espalhar para outros órgãos do corpo. É mais frequente em pessoas de pele clara e costuma surgir em áreas danificadas pela exposição ao sol. Atinge predominantemente os pacientes do sexo masculino. Tem baixa letalidade e altas taxas de cura quando diagnosticado e tratado precocemente.

Carcinoma espinocelular
O carcinoma espinocelular responde por aproximadamente 20% dos casos.  Tem origem na camada espinhosa da pele. Desenvolve-se mais rapidamente do que o basocelular. Pode atingir indivíduos de qualquer gênero ou etnia, seno mais comum em pessoas do sexo masculino, a partir na sexta ou sétima década de vida. Desenvolve-se especialmente nas regiões do corpo mais expostas ao sol. Também tem altas taxas de cura quando há diagnóstico e tratamento precoce, porém é mais agressivo que o carcinoma basocelular, oferecendo maior risco de metástase.

Melanoma
O melanoma é o câncer de pele mais perigoso. Representa apenas 5% dos casos, mas causa quase 100% dos óbitos decorrentes da doença. Trata-se de um tumor maligno originado nos melanócitos, as células que produzem melanina, o pigmento que dá cor à pele. Muito agressivo, tem grande facilidade para fazer metástases e se espalhar para outros órgãos do corpo, como cérebro, coração e fígado.

Mais frequente em indivíduos do sexo masculino, tem sido cada vez mais prevalente entre as mulheres e os pacientes com menos de 30 anos, por causa da exposição solar em excesso.  Acomete principalmente indivíduos de pele clara, mas pode atingir outras etnias, como afrodescendentes e asiáticos. Embora seja predominante em regiões expostas ao sol, o melanoma pode se desenvolver em qualquer parte do corpo, inclusive áreas não expostas, como unhas dos pés, couro cabeludo e órgãos genitais.

Apesar de ser um tumor agressivo e letal, o melanoma tem mais de 90% de chance de cura quando descoberto e tratado em estágios iniciais. Essa possibilidade drasticamente conforme a doença avança.

Sinais e sintomas

A presença de sinais róseos, avermelhados ou escuros, que apresentam crescimento lento, mas progressivo, pode ser um sintoma de câncer de pele.

Do mesmo modo, pintas ou sinais na pele que coçam, sangram ou apresentam mudanças em sua cor, tamanho ou consistência também podem ser um sintoma da doença, assim como feridas que não cicatrizam nunca.

Outros sinais e sintomas importantes são:

  • Pintas assimétricas, com um lado diferente do outro
  • Pintas com bordas irregulares
  • Pintas com diferentes cores
  • Pintas com mais de 6 mm de diâmetro
  • Pintas que mudam de cor, forma ou tamanho

O câncer de pele pode se desenvolver a partir de pintas já existentes, por isso é importante observar a pele regularmente. Caso encontre um sinal suspeito, procure imediatamente um dermatologista.

Fatores de risco

  • Exposição excessiva ao sol sem proteção
  • Histórico de queimaduras solares, especialmente na infância
  • Existência de muitas pintas no corpo
  • Histórico familiar de câncer de pele
  • Histórico prévio de câncer de pele
  • Tom de pele claro
  • Olhos e cabelos claros
  • Cabelos ruivos

Atenção: embora o tom de pele claro seja um fator de risco, indivíduos de todas as etnias podem desenvolver câncer de pele. Fique atento aos sinais do corpo.

Prevenção

O câncer de pele pode ser prevenido com medidas simples de proteção solar. Confira:

  • Usar diariamente filtro solar com FPS 30, no mínimo, mesmo em dias frios ou nublados.
  • Não restringir o uso do filtro solar aos momentos de esporte ou lazer. Incluir o produto na rotina diária.
  • Reaplicar o filtro solar a cada três horas. Em caso de sudorese excessiva ou banho de mar ou de piscina, o período de reaplicação deve ser menor.
  • Não se expor nos horários de sol forte, entre 10h e 16h.
  • Usar roupas e acessórios para complementar a proteção solar, como bonés, óculos escuros e roupas com proteção UV.
  • Fazer um autoexame da pele todos os meses.

Tratamento

O câncer de pele é tratado inicialmente por meio da excisão cirúrgica, com a remoção da parte lesionada da pele e de seu entorno. O tecido retirado será observado ao  microscópio em um laboratório, para verificar se todas as células cancerígenas foram removidas.  No caso da grande maioria dos carcinomas baso e espinocelulares, e dos melanomas em estágios iniciais, apenas a remoção cirúrgica já é suficiente.

O câncer de pele melanoma, muito mais agressivo e letal, tem opções terapêuticas distintas. No caso das lesões em estágios iniciais, a excisão cirúrgica do tumor e o acompanhamento posterior com o dermatologista são suficientes. Melanomas em estágio  avançado podem exigir outros tipos de tratamento, mais caros e complexos, como quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. Esses tratamentos são administrados em parceria com o oncologista clínico e outros especialistas.

câncer de pele não melanoma tem diversas opções terapêuticas. Conheça algumas:

Cirurgia Micrográfica de Mohs
Com um bisturi ou cureta, o médico remove a parte visível do tumor com um corte fino. Essa camada é imediatamente examinada no microscópio. Se o tumor continuar presente na periferia ou na parte profunda do tecido, o procedimento é repetido até o último tecido retirado estar livre de células tumorais.

Curetagem e eletrodissecção
O tumor é raspado com uma cureta, e o calor produzido por uma agulha eletrocauterizadora destrói as células malignas.

Crioterapia
O tumor é destruído por meio da aplicação de nitrogênio líquido, por meio de um spray. Não há cortes ou sangramentos e a anestesia não é necessária.

Radioterapia
Aplicação de raio-x diretamente sobre o tumor, sem anestesia ou corte. As sessões são realizadas repetidas vezes em um determinado período de tempo, para assegurar a completa destruição do tumor.

Cirurgia a laser
A lesão e camadas de pele mais profundas são removidas usando o laser de dióxido de carbono ou erbium YAG laser.

Medicamentos tópicos
Alguns medicamentos tópicos podem auxiliar o tratamento de lesões pré-cancerosas, como queratose actínica.